Sem maioria no Senado, Lula diz que “senador pensa que é Deus”
Presidente afirma que falta de base pode dificultar governabilidade e aposta em eleição de aliados
01/04/2026 às 12:08

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a ausência de uma base sólida no Senado pode gerar dificuldades para o governo e fez críticas ao comportamento de parlamentares da Casa.
Durante entrevista, Lula declarou que “um senador com mandato de 8 anos pensa que é Deus e pode criar muito problema se você não tiver base no Senado”.
A fala ocorre em meio a um cenário político em que o governo enfrenta dificuldades para consolidar maioria na Casa Alta.
Estratégia para fortalecer base
Segundo o presidente, uma das principais estratégias para 2026 é liberar ministros para disputar vagas no Senado, com o objetivo de ampliar a base aliada e garantir maior governabilidade.
“Sem maioria no Senado, a governabilidade fica complicada. Precisamos eleger aliados e construir base sólida para que os projetos avancem”, afirmou.
Atualmente, o cenário no Senado é considerado desafiador para o governo. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, encerrou 2025 com a maior bancada da Casa.
Pressão política e articulação
O avanço da oposição também reacendeu debates no Congresso sobre instrumentos institucionais, como propostas de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, o governo enfrenta obstáculos políticos, como dificuldades em indicações e necessidade constante de negociação com diferentes partidos.
Apesar disso, Lula destacou que tem conseguido aprovar medidas relevantes mesmo com base reduzida.
“Preste atenção: eu só tenho 70 deputados em 513 e 9 senadores em 81. Mesmo assim, conseguimos aprovar reforma tributária, desconto de IR para quem ganha até 5 mil reais”, disse.
Aposta em alianças
O presidente reforçou a importância de ampliar alianças políticas, inclusive com partidos fora do núcleo tradicional do governo.
“Quem você gosta já está com você. É preciso se aproximar de quem pode contribuir para projetos do Estado e do país”, afirmou.
A disputa pelo Senado deve ser um dos principais focos das eleições de 2026, considerada estratégica para a estabilidade política e a aprovação de projetos no Congresso.




